Pesquisador faz levantamento de Fauna de região gaúcha.
As dimensões continentais do Brasil proporcionam uma vasta gama de atividades junto à natureza. Matas, montanhas, rios e mar fazem a alegria de aventureiros, pesquisadores e curiosos em todos os estados, seja no esporte ou na pesquisa da flora e da fauna.
É o caso de Candelária, pequena cidade de 28 mil habitantes no centro do Rio Grande do Sul, com economia voltada à agricultura e à fabricação de colchões e calçados femininos, o município guarda um ponto único no estado: o Morro Botucaraí. Com 569,63 metros de altitude, é o ponto isolado mais alto do Rio Grande do Sul.
Ícone gaúcho, o morro é referência de turismo religioso. Todas as Sextas-Feiras Santas, o grupo de teatro candelariense Cara e Coragem encena a Paixão e Morte de Cristo para milhares de peregrinos que sobem o morro em busca de milagres ou para agradecer graças alcançadas. Na base do morro, uma fonte de água considerada "santa" atrai fiéis que bebem e muitos levam a água para casa.
Mas o Botucaraí vai além da fé. Seus paredões íngremes atraem esportistas, trilheiros, praticantes de camping e escalada.
Entre esses aventureiros está o pesquisador Marcelo Coimbra. Há anos, Marcelo monitora a fauna específica da montanha. Aos finais de semana, é comum encontrá-lo em trilhas e acampamentos, instalando câmeras de monitoramento da vida selvagem. Os registros, que incluem o retorno da onça-parda Puma concolor à região, são publicados regularmente em sua página no Instagram @rastroselvagem, essa paixão de Marcelo deu origem ao Projeto Leopardus do Sul, ligado ao instituto GCWG(Geoffroy’s Cat Working Group), mundialmente conectado a Big Cats Rescue, projeto que tem por objetivo identificar e proteger felinos a região central do Rio Grande do Sul, com foco especial para felinos que habitam a ecotone da Mata Atlântica e Pampa, habitat do gato-do-mato-pequeno e grande, Maracajá, Mourisco, Jaguatirica e Onça parda.
Acampar e monitorar nestes locais exige preparo e bons equipamentos. Por ser uma área selvagem, de difícil acesso e com obstáculos naturais, incluindo animais peçonhentos como cobras e aranhas, o uso de equipamentos de boa qualidade é indispensável para o trabalho de campo.
Por Erni Bender.
